Utilizo este Blog como um simples arquivo.

“Maior prova de arrependimento e vergonha, daquele que encarnava a virtude do exército não poderia existir. A República foi proclamada sem grandeza à custa de mentiras, e seu proclamador quis ser enterrado sem a farda que caracterizava a instituição que dizia liderar. E hoje temos paradoxo do Brasil se pretender democrático e sério, e fazer um FERIADO NACIONAL em dia de GOLPE DE ESTADO.”

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Palácio Quitandinha - Petrópolis - RJ

Endereço: Av. Joaquim Rolla, 2 - Quitandinha - Petrópolis
Telefone: 24 2237-1012 / 2242-4512
Visitação: terça a domingo, de 9h às 17h 
"Houve uma época em que não era preciso ir até Los Angeles, a capital mundial do cinema, para esbarrar com as celebridades das telonas em ambientes de extremo requinte arquitetônico e luxuosa decoração. Em Petrópolis, nas décadas de 40 e 50, isso era coisa corriqueira. Pelo menos para quem tinha condições de gastar muitos cruzeiros para se hospedar e jogar no Hotel Cassino Quitandinha. Em seus tempos áureos, o lugar chegou a ser o cenário de grandes episódios relacionados à política internacional, à indústria cultural e mesmo a dramas pessoais que marcaram a cidade. Muito mais do que muitos imaginam, o Quitandinha foi palco de acontecimentos extraordinários."
Palácio Quitandinha - Petrópolis - RJ
Em 1939, Joaquim Rolla comprou parte do terreno da antiga Fazenda Quitandinha, e encomendou ao arquiteto italiano Luis Fossati um projeto para a construção do maior cassino da América Latina... O paraíso do jogo bancado no Brasil. A construção iniciada em 1940, foi inaugurada em 1944, pouco antes do Governo Dutra proibir o jogo em 1946, dando início ao processo de falência de Rolla, um dos homens mais ricos do Brasil na ocasião. Este empreendimento testemunhou fatos históricos e festas monumentais.

Concebido internamente num estilo, que foi classificado pelo professor Fernando Pamplona da Escola Nacional de Belas Artes da UFRJ, como "rococó hollywoodiano", e externamente em normando-francês, este último bastante presente na arquitetura de Petrópolis devido à colonização alemã. O interior lembra cenários de filmes estadunidenses. Os ambientes foram decorados pela Designer Dorothy Draper, Cenógrafa dos famosos filmes de Hollywood da época. Para as obras artesanais, inúmeros artistas foram contratados no exterior, inclusive asiáticos.  
Joaquim Rolla 
Com 50 000 metros quadrados sete andares com pé direito alto mais a garagem no sub-solo, chega a atingir 10 andares nas torres; divididos em 440 apartamentos, 13 grandes salões com até 10 metros de altura que podem abrigar 10.000 pessoas simultaneamente. A cúpula do Salão Mauá é a 2º maior do mundo, com 30m de altura e 50m de diâmetro. Ampla garagem no subsolo. Teatro Mecanizado com três palcos giratórios com capacidade para 2.000 pessoas. Piscina térmica em formato de um piano de cauda, cuja profundidade chega a 5 metros, dotada de caldeiras que mantinham a água a uma temperatura de 30º C. Boate, Viveiro, banheiros em mármore, lustres com pingentes de cristal e um sistema de iluminação que seria suficiente para iluminar uma cidade de 60.000 habitantes.

Os espaços destinados a serviços incluíam: Cozinha, lavanderia, circulações, elevadores, sala de correspondência, e outros que rivalizavam com qualquer hotel de luxo da Europa ou dos EUA. 
Designer Dorothy Draper - Cenógrafa

Joaquim Rolla queria também para o interior a suntuosidade que o prédio exibia em sua fachada, e exigiu para os ambientes uma concepção sem estilos definidos, fora das influências da cultura européia; preferindo as cores e ornatos utilizados nos estúdios de cinema de Hollywood. Ele esteve nos Estados Unidos, nas terras californianas, em busca dos mágicos criadores de tanta beleza. Lá encontrando-se com a maior profissional da área, Dorothy Draper, passou seu projeto e suas idéias, e ela prontificou-se a criar os cenários fixos... Criou os espaços com salões únicos, nenhum assemelhado a outro, numa simbiose de cores e ornatos tão diferentes quanto harmoniosos no conjunto da obra de beleza cinematográfica. Para chegar ao cassino, os visitantes atravessavam um salão ricamente decorado. O salão de convenções, onde funcionou o cassino, assim como todos os ambientes do Palácio Quitandinha, impressiona pela suntuosidade. 


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Na área externa, diversos elementos demonstravam requinte e se integravam à construção principal. Além das quadras de voleibol e tênis, os hóspedes tinham à disposição: Rinque de patinação, pista de equitação, jardins maravilhosos.
Um grande lago com 18 000 metros quadrados, ocupando quase toda a extensa área que se estende em frente da imponente fachada do Palácio, concebido como único suporte viável no caso de um inesperado incêndio; na sua construção foi usada uma grande quantidade de areia da praia de Copacabana. Este lago possuí o formato do mapa da America do Sul, cuja a Ilha de Marajó é representada por um farol. Possuía piscina flutuante, decks em madeira e praia artificial. Também foi construído em sua margem um restaurante com vista panorâmica para o Palácio com todo este seu magnífico entorno. 


No seu auge, o Quitandinha chegou a empregar 1.500 pessoas. Foi neste cenário que durante um curto período de esplendor, o hotel teve grandes personalidades brasileiras e internacionais desfilando por suas dependências... Políticos como Getúlio Vargas, Juscelino Kubitschek, João Goulart... Entre os Artistas contratados para os shows em sua Boate, estiveram ali: Carmen Miranda, Grande Otelo, Oscarito, Emilinha Borba, Marlene, a vedete Virgínia Lane e outros ídolos do rádio como Orlando Silva, Carlos Galhardo, Cauby Peixoto, Mário Reis e Nelson Gonçalves. O elenco da Atlântida, produtora que realizou ali várias filmagens, também costumavam aparecer: Oscarito, Cyl Farney, Anselmo Duarte, Dick Farney, Eliana Macedo, Adelaide Chiozzo, José Lewgoy, Ankito e Zezé Macedo estavam entre eles. 


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Alguns artistas chegaram a fazer suas estréias profissionais no palco do teatro do Quitandinha. Foi ali, onde trabalhava como carpinteiro, que o ator Grande Otelo começou a trilhar sua trajetória de sucesso. Foi nos palcos giratórios do teatro mecanizado que Grande Otelo fez sua estréia como ator, e a Miss Martha Rocha foi coroada pelo poeta Manoel Bandeira, que na época residia em Petrópolis. 

Passaram por seus salões o presidente americano Harry S. Truman e a mais controvertida primeira dama e líder política argentina Evita Perón. Estrelas de Hollywood não faltavam... Além da atriz Lana Turner, que teve uma estada de dois meses na suíte presidencial, lá também se hospedaram: Errol Flynn, Marlene Dietrich, Orson Welles, Henry Fonda, Maurice Chevalier, Greta Garbo, Bing Crosby e até um Rei destronado (Carol II da Romênia). Walt Disney, em visita ao Brasil para o lançamento do personagem Zé Carioca, foi um dos que experimentaram os requintes do hotel. 

Mas nem tudo era festa. Grandes perdas nas mesas de jogo levavam a atos extremos. O mais conhecido deles, e que chegou a originar a incrível lenda de que havia no porão do hotel um salão disponível para suicídios, foi o caso de um jogador que em plena luz do dia foi da bote até o meio do lago, e tirou a própria vida com um tiro na cabeça.
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Em 30 de maio de 1946, dois anos após a sua inauguração, o presidente Eurico Gaspar Dutra decretou a proibição do jogo no Brasil, conseqüentemente determinando o fim do lucrativo negócio montado no Quitandinha. No breve período em que o cassino esteve em atividade, de 1944 a 1946, o Quitandinha viveu sua fase mais glamorosa.

Cerca de um ano depois do fechamento do cassino, o Quitandinha, já com a atenção de seu proprietário voltada para atividades que pudessem compensar o fim do lucrativo negócio, sediou um dos mais importantes encontros internacionais até então organizados no Brasil. Entre 15 de agosto e 2 de setembro de 1947, aconteceu ali a Conferência Interamericana de Petrópolis, com a reunião de representantes de 21 países do continente americano. O evento teria sido ainda mais significativo, por representar também a cooptação de algumas destas nações pelos EUA, para uma aliança contra o comunismo. 


Veículos de comunicação que compareceram em peso para a cobertura do grande acontecimento, noticiaram que enquanto a conferência organizada para tratar da paz e da segurança nas Américas se desenvolvia... Iniciava-se através de conversas reservadas entre o chefe de Estado americano George Marshall e o ministro da Guerra brasileiro Góis Monteiro, a gestação da Guerra Fria entre os EUA e a então União das Repúblicas Socialistas Soviéticas.

Pouco tempo depois do fim da Conferência em outubro de 1947, o Brasil rompia relações diplomáticas com a União Soviética. 

Foi neste mesmo período ainda no ano de 1947, que o empresário Joaquim Rolla lançou um inovador projeto de Marketing, com vistas à ocupação do hotel por turistas europeus para tratamentos termais com água radioativa. Ele fez publicar uma revista com aproximadamente 40 páginas que descrevem em detalhes todos os atrativos do hotel, além de anunciar a inauguração em maio de 1948, a Exposição Internacional da Indústria e do Comércio. 


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O Quitandinha ficou sem atividades por um período de dois anos, em 1949 foi arrendado pela empresa americana Eppley Hotel Termas do Brasil, que o reativou por mais um biênio, antes de passá-lo para a a Flumitur Cia Fluminense de Hotéis, que o manteve em sua função hoteleira de 1951 a 1954. Foi no ano de 1954 que o prédio voltou para as organizações Joaquim Rolla, que optou pela venda de 202 apartamentos, dando origem a um condomínio. Em 1957 Realizou-se a 16ª Conferência Mundial de Bandeirantes, que contou com representantes de 23 países associados à WAGGGS (Word Association of Girl Guides and Girl Scouts), a assinatura do Tratado do Rio de Janeiro, e outros inúmeros eventos nacionais e internacionais.

Nos anos de 1954 à 1957 ocorreram os famosos concursos de Miss Brasil, com o afluxo de inúmeros empresários relacionados à esta festa, que tornava-se importante pelo evento internacional que se realizava logo a seguir. Um charme para a época. 
 
Não conseguindo sobreviver apenas como hotel por muito tempo, em 1963 se transforma num clube, o Santa Paula Quitandinha Clube, e os 338 apartamentos que restaram dos 440... Foram pouco a pouco sendo vendidos por Joaquim Rolla. Fazendo ali um dos maiores clubes do mundo, que lucrou muito com o aumento da economia brasileira nos anos 70. Entretanto, por ter vendido muitos títulos de sócios remido, perdeu o lucro que ganhava mensalmente. Outro fato que agravou o clube foi o surgimento da inflação no Brasil e o afluxo dos turistas para o litoral fluminense (Cabo Frio, Armação dos Búzios), acarretando na diminuição do número de sócios pagantes. Com isso o clube não se manteve, pelo alto custo do então clube mais caro da América Latina (quase 100% frequentado por cariocas). 

Desde então, a parte abrangida pelos 440 apartamentos se tornou um condomínio de luxo, visto como o mais luxuoso de Petrópolis. A partir de janeiro de 1989 foi restaurado. Hoje abriga além de moradores, uma unidade do CESC (Serviço Social do Comércio), que adquiriu em 2007 toda a parte social e entretenimento, internas quanto externas, do tradicional Palácio Quitandinha... Denominando-as de "SESC Quitandinha - Centro de Cultura e Lazer". Onde se concentram espaços importantes como o Teatro Mecanizado e os salões Mauá, Marconi e Roosevelt, atualmente utilizados para a realização de eventos como shows, feiras e outras opções de lazer. Neste projeto do SESC, incluí uma grande estrutura para boliche, a maior pista de patinação no gelo da América latina, a revitalização das áreas externas, e já está em andamento a construção do maior planetário das Américas. Atualmente o outrora apartamento de Getulio Vargas é ocupado por uma família. O Palácio Quitandinha ainda é conhecido como o maior e mais legítimo palácio do Brasil, e ao lado do Colón (Uruguay)... Como os maiores da América Latina. Em qualquer de suas fases sempre representou um símbolo da Cidade de Petrópolis, e até hoje encanta visitantes com suas instalações majestosas e sua aura cinematográfica. 

Adaptação: 
Emanuel Nunes Silva 
19 de setembro de 2011 

Estações de Itaipava © Todos os direitos reservados
Para a realização desta matéria, com fornecimento de dados históricos e cessão de fotos de arquivos pessoais, a Estações de Itaipava contou com a inestimável colaboração de Gilson Cony dos Santos, Orlando Frederico Kloh e do jornalista Sylvio Carvalho, além dos historiadores Oazinguito Ferreira da Silveira Filho, Joaquim Eloy Duarte dos Santos e Milton de Mendonça Teixeira. 

Colaboração: jornalista Sylvio Carvalho e professores Joaquim Eloy e Oazinguito Ferreira


HOTEL QUITANDINHA
Escrito por Oazinguito Ferreira
HOTEL QUITANDINHA: ALAVANCA DO FALSO “MODERNISMO” PETROPOLITANO I
 
(O sr. Orlando Klôh servindo o Presidente JK ao lado dos demais governadores)
Em ensaio publicado em 14/02 corrente, citamos declarações do Sr. Orlando Klôh, ex-garçon do Hotel Quitandinha, e observamos que a riqueza deste depoimento não residia somente no que fora exposto, mas principalmente no que vivenciara profissionalmente.

Em nosso “bate-papo”, ele apresentou fotografias (que ilustram o nosso blog), onde garbosamente aparecia no que ele orgulhoso declarara como a "Brigada da Boite", um grupo de garçons e funcionários, em sua maioria estrangeiros, que prestara serviços aos freqüentadores do hotel no período em que era um cassino.
 
(Klôh encontran-se sentado ao chão à frente do cheff)
Klôh foi incorporado ainda jovem ao serviço do hotel permanecendo até o restaurante ser fechado.
 
Em uma destas fotos, Klôh serve o então futuro presidente da República Juscelino Kubitschek e aos demais governadores do país no período, como Paulo Garcez entre inúmeros outros, que neste jantar acompanhavam JK. Em outras fotos ele se apresentava com a então "Brigada da Boite" de 1948 e também posteriormente na do grupo do restaurante. Curiosamente Klôh afirma que todos os que trabalhavam no serviço da boite eram em sua maioria estrangeiros, principalmente italianos, havendo somente dois brasileiros e ele era um destes.

(Os funcionários do restaurante) 
Seu Orlando reforça a imagem de dezenas de autos de praça que se perfilavam na entrada do cassino trazendo os aficionados pela jogatina ou pelas apresentações artísticas. E dos muitos que pagavam inclusive com fichas os serviços. - Bons tempos! Exclama ao contemplar as fotos do prédio.
HOTEL QUITANDINHA: ALAVANCA DO FALSO “MODERNISMO” PETROPOLITANO II
 
O Quitandinha Palace, como monumento arquitetônico, realmente nos impressiona. Foi projetado no estilo normando francês, como a maioria dos cassinos europeus do período principalmente na França. Para muitos coincidia com uma regra muito forte na arquitetura de alguns prédios petropolitanos da década de 30/40 que homenageava a colonização alemã, porém, seu interior fugia as regras de decoração de então e apresenta espaços que foram construídos em versões “hollywoodianas”. Tanto que o professor Fernando Pamplona da Escola Nacional de Belas Artes da UFRJ como "Rococó Hollywoodiano”.
 

O complexo hoteleiro foi construído nos terrenos da extinta Fazenda Quitandinha, que pertenceu à família Azevedo Sodré, e que em 1939, foram adquiridas por Joaquim Rolla.
O ambiente do Palácio Quitandinha tem o poder mágico de fazer reviver uma época: a época de ouro do rádio, dos cassinos e das chanchadas. O palácio conta também a história pessoal de Joaquim Rolla,
 
(Rolla visita obras de uma estrada mineira em 1929)
um mineiro do interior que, tendo feito fortuna com a construção de estradas pelo interior de seu estado, passou a dominar o jogo no Brasil. Proprietário da maior rede de cassinos da América Latina, durante o Estado Novo, Rolla aplicou a grande soma de 700.000 contos na construção do Cassino Quitandinha, criado em 1944 para servir como o maior cassino da América Latina, foi um empreendimento de Joaquim Rolla, encomendara o magnífico projeto ao arquiteto italiano Luis Fossati, que foi auxiliado pelo brasileiro Alfredo Baeta Neves, posteriormente eleito senador.
 
(o arquiteto intaliano Luis Fossati e o assistente brasileiro, Alfredo Baeta Neves)
HOTEL QUITANDINHA: ALAVANCA DO FALSO “MODERNISMO” PETROPOLITANO III
 
Já a construção ficara a cargo de Alcebíades Monteiro Júnior, ou Monteiro Filho (foto),
que nasceu em Lisboa (Portugal) 1909
e chegou ao Brasil com 11 anos de idade, em 1920.
Monteiro fora companheiro de estudo no Liceu de Artes e Ofícios de nomes como Cândido Portinari, Manoel Faria, Rui Campelo (pintores), Calmon Barreto (gravador), e Antonio Nássara (arquiteto). E além de construtor fora principalmente desenhista e chargista-caricaturista de famosas revistas cariocas como Para Todos, O Malho, Tico-Tico. Organizara desfiles para o Clube dos Fenianos, sociedade carnavalesca carioca de grandes carros em 32. E após a construção do Quitandinha, veio morar em Petrópolis e ficou responsável pela construção do edifício Minas Gerais, sede do Banco do Comércio e Indústria de Minas Gerais; do edifício Imperador e na década de 1950 encerrou suas atividade em cenários de filmes da Cinédia.
 
(cúpula em construção)
Quanto ao Quitandinha, são cinqüenta mil metros quadrados e seis andares; salões com dez metros de altura; quatrocentos e quarenta apartamentos; treze grandes salões. Um destes salões, o Mauá, reservado ao cassino, impressiona como obra de engenharia por possuir uma cúpula com trinta metros de altura e cinqüenta diâmetro, sendo a segunda maior cúpula do mundo, comparada a redoma da Catedral de São Pedro em Roma. Tamanha dimensão impressiona ainda mais quando nos fazemos presentes neste salão, mais precisamente em um ponto definido onde sua voz pode ecoar por até quatorze vezes pelo salão. Bem à frente do palácio estendem-se um lago com 18 mil metros quadrados.
 
(obras de construção do lago)
HOTEL QUITANDINHA: ALAVANCA DO FALSO “MODERNISMO” PETROPOLITANO IV
 
(uma sala para recreação de crianças menores com jogos e brinquedos)
Os ambientes internos foram decorados pela americana Dorothy Draper, a mesma que assinava cenários de filmes dos estúdios de Hollywood na década de 40. Os banheiros são de mármore colorido e as pias de porcelana. Os lustres gigantescos são de bronze, com pingentes de cristal; os apliques, as luminárias espalhadas, a luz indireta suspensa nos tetos e os candelabros, consumiam uma energia elétrica que seria suficiente para iluminar uma cidade de 60.000 habitantes. Seus salões de festas podiam abrigar até 10.000 pessoas, se ativados simultaneamente.
 
(sala privada destinada a produção de correspondência dos hospedes do hotel)
O Teatro Mecanizado, com três palcos giratórios tem capacidade para 2.000 pessoas. O lago tem fundo de lajotas e o formato do mapa do Brasil, com o farol na Ilha de Marajó. Os hóspedes do Hotel Quitandinha eram milionários brasileiros, governantes e políticos, reis, atrizes e vedetes internacionais, jogadores inveterados, armadores, misses e magnatas, que desejavam obter o máximo em matéria do “bom viver”.
 
(um salão de esportes)
Monteiro Filho, como construtor, ainda foi responsável por outras obras que proporcionaram charme ao Hotel, como a piscina flutuante artificial e, na parte interna, teatro mecanizado (grill-room), pista de patinação no gelo, boate, piscina aquecida e outros luxos.
 
(salão destinado a leitura dos hospedes)
HOTEL QUITANDINHA: ALAVANCA DO FALSO “MODERNISMO” PETROPOLITANO V
Para as obras artesanais, inúmeros artistas foram contratados no exterior, até mesmo asiáticos.
No seu auge, o Quitandinha chegou a empregar 1.500 pessoas e abrigou em seus salões os figurões da República, artistas de renome nacional e internacional e a nata da elite nacional. Por sua "boite" se apresentaram artistas como Grande Otelo, Oscarito, Emilinha Borba, Marlene e a vedete Virgínia Lane. Passaram também por seus salões estrelas do porte de Errol Flynn, Orson Welles, Lana Turner e Henry Fonda. E políticos como Getúlio Vargas e Evita Perón.
Nas suas dependências ocorreu a assinatura da declaração de guerra dos países americanos ao eixo (história), durante a Segunda Guerra Mundial, a Conferência Interamericana de 1947. Realizou-se também, em 1957, a 16ª Conferência Mundial de Bandeirantes, que contou com representantes de 23 países Associados à WAGGGS (Word Association of Girl Guides and Girl Scouts), a assinatura do Tratado do Rio de Janeiro, entre outros inúmeros eventos nacionais e internacionais.
Nos anos de 1954 à 1957 ocorreram os famosos concursos de Miss Brasil com a concorrência de inúmeros empresários relacionados à esta festa que tornava-se importante pelo evento internacional que se realizava logo a seguir, um charme para a época.

Joaquim Rolla, o empresário que construiu o Quitandinha era muito bem relacionado no governo e, com isso conseguiu proteger-se da proibição do jogo. Amigo de Amaral Peixoto, o interventor do Rio de Janeiro que era genro do presidente Getúlio Vargas, Joaquim Rolla negociou com o governo um contrato que lhe garantia uma indenização de 120 mil contos de réis, na eventualidade do jogo ser proibido em território nacional, o que, de fato, viria a acontecer dois anos depois da noite de 12 de fevereiro de 1944 (inauguração). Mais precisamente por um decreto assinado por Dutra em 30 de maio de 1946.

Não conseguindo sobreviver só como hotel de luxo, os apartamentos foram vendidos a partir de 1963. O conjunto em janeiro de 1989, foi totalmente restaurado, aguardando-se a abertura dos jogos no Brasil.

Quando o Cassino foi inaugurado ocorreu um banquete para duas mil pessoas, no salão Marcondes. Conversíveis, “rabos de peixe”, limusines chegavam com grande movimento. Os ônibus especiais da UTIL e da ÚNICA faziam fila em sua entrada, além de “carros de praça ou aluguel”.
Além do banquete havia ainda o show Vogue 44, com Grande Otelo, Yma Sumac, Alvarenga e Ranchinho. Duas orquestras, de Carlos Machado e do maestro Gaó, tocariam durante o jantar e o baile. Devido à grande quantidade de convidados, o jantar começou a ser servido às 23h30 e o show às 2h15 da manhã, quando pouca gente podia assisti-lo não só por causa do atraso, mas também pela grande quantidade de bebida ingerida.

O sr. Orlando Klôh tem razão, bons tempos!

Mas não devemos nos esquecer que a construção do Hotel acelerou também a descaracterização do sitio histórico petropolitano invadido pela construção de inúmeros “espigões” em nome do “progresso e do modernismo”. Uma “falsa alavanca” desenvolvimentista em uma cidade histórica.
HOTEL QUITANDINHA: ALAVANCA DO FALSO “MODERNISMO” PETROPOLITANO VI
Um detalhe que para muitos pesquisadores seria improcedente de haver existido. Mas o mesmo foi real, o de um projeto de autoria de Oscar Niemeyer, produzido a pedido de Rolla, para um prédio-condomínio, que comportaria 5.700 apartamentos (em 1950). O famoso "Condomínio Mauá", que seria construído ladeando o Quitandinha Palace.

O mesmo projeto chegou a ter unidades vendidas por seu contrutor, Joaquim Rolla, porém o empreendimento não se realizou em Petrópolis, e foi construído em menor escala no formato de Condomínio, o Edifício JK, em Belo Horizonte, também um projeto de Niemeyer.

O Mega projeto não seria adequado às condições ambientais da região, e na época em que foi projetado, o Quitandinha perdera sua magnitude, sendo então o condominio mais um dos empreendimentos imobiliários de especulação na região serrana na era de seu pseudo-modernismo. 
(observe atentamente a desproporcionalidade deste mega-projeto
comparado com o Quitandinha que é ladeado pelo mesmo)
Agradeço gentilmente as fotos e postais cedidos gentilmente para reprodução pelo sr. Orlando Klôh, com exceção da foto do sr. Fossati e Monteiro e de outras que extraí e me foram gentilmente cedidas por João Perdigão de cujo site http://flickr.com/photos/psychojoanes, onde algumas fotos também haviam sido cedidas por Gilson Cony.
HOTEL QUITANDINHA: ALAVANCA DO FALSO “MODERNISMO” PETROPOLITANO VII

Reproduzo mais algumas fotos do "Quitandinha" que foram publicadas por João Perdigão no site http://flickr.com/photos/psychojoanes, onde algumas fotos também haviam sido cedidas por Gilson Cony. E agradeço a ambos a possibilidade de reprodução das mesmas neste histórico para os meus consulentes e leitores.

(escada que sobe para a torre que integra o complexo do prédio)
(o segmento traseiro do prédio em acabamento final, assim como a torre) 
Escrito por Oazinguito Ferreira


Quitandinha
A doce vida holywoodiana na serra
Houve uma época em que não era preciso ir até Los Angeles, a capital mundial do cinema, para esbarrar com as celebridades das telonas em ambientes de extremo requinte arquitetônico e luxuosa decoração. Em Petrópolis, nas décadas de 40 e 50, isso era coisa corriqueira. Pelo menos para quem tinha condições de gastar muitos cruzeiros para se hospedar e jogar no Hotel Cassino Quitandinha.
Em seus tempos áureos, o lugar chegou a ser o cenário de grandes episódios - relacionados à política internacional, à indústria cultural e mesmo a dramas pessoais - que marcaram a cidade. Muito mais do que muitos imaginam, o Quitandinha foi palco de acontecimentos extraordinários. 


Inaugurado em 12 de fevereiro de 1944 pelo empreendedor Joaquim Rolla para ser o paraíso do jogo na América Latina, o prédio, hoje denominado Palácio Quitandinha, testemunhou fatos históricos e festas monumentais. Com a decretação da proibição do jogo no país, transformou-se em um Hotel Termas e depois em condomínio residencial. Hoje, abriga, além de moradores e veranistas nos apartamentos, uma unidade do SESC (Serviço Social do Comércio), instalada no primeiro piso, onde se concentram espaços importantes como o Teatro Mecanizado e os salões Mauá, Marconi e Roosevelt – atualmente utilizados para a realização de eventos. 


Durante os dois anos em que o cassino esteve em atividade, de 1944 a 1946, o Quitandinha viveu sua fase mais glamorosa. Era no Salão Mauá – dotado de uma magnífica cúpula, com a dimensão de trinta metros de altura e cinquenta de diâmetro (o que a coloca na posição de segunda maior do mundo) – que os panos verdes se estendiam, até que um decreto do então presidente da República, Eurico Gaspar Dutra, proibiu o jogo no país. O banho de água fria nos planos do empresário Joaquim Rolla aconteceu pelo decreto-lei 9215, de 30 de abril de 1946. 


Pior notícia impossível. Rolla – mineiro do interior que começou a vida como tropeiro e cujo espírito empreendedor o permitiu possuir vários outros cassinos (o da Urca, no Rio; o de Icaraí, em Niterói; e o da Pampulha, em Belo Horizonte), além de estâncias hidrominerais em Minas (Araxá, Poços de Caldas e Lambari) – havia colocado muito dinheiro no negócio. Alguns registros dão conta de que o investimento foi da ordem de 700 mil contos de réis; outros de que os gastos totais, do início da construção até a inauguração com toda pompa e circunstância, somaram mais de 200 milhões de cruzeiros (o padrão monetário do país foi alterado em 1942). 


Em qualquer moeda, o certo é que a quantia empregada ali não poderia ser pequena. Grande parte dos materiais usados na construção do majestoso hotel veio de diferentes partes do Brasil e do mundo para que fosse erguido o prédio de seis andares, com 440 apartamentos de tamanhos distintos e ambientes variados para as áreas comuns: 13 salões, piscina térmica, viveiro, teatro mecanizado e boate, entre eles. Os espaços destinados a serviços - cozinha, lavanderia, circulação, sala de correspondência e outros – também não deixavam a desejar a qualquer hotel de luxo da Europa ou dos EUA. Na área externa, outros elementos que demonstravam o requinte da construção: rinque de patinação, pista de equitação, jardins maravilhosos e um lago de 18 mil metros quadrados, equipado com piscina flutuante de madeira e praia artificial. 


Joaquim Rolla queria também para o interior a suntuosidade que o prédio exibia em sua fachada e exigiu para os ambientes uma concepção sem estilos definidos, fora das influências da cultura européia, preferindo as cores e ornatos utilizados nos estúdios de cinema de Hollywood. “Ele esteve nos Estados Unidos, nas terras californianas, em busca dos mágicos criadores de tanta beleza, encontrando-se com a maior profissional da área, Dorothy Draper. 


Passou seu projeto e suas idéias e ela prontificou-se a criar os cenários fixos. Ela criou os espaços para o cassino, com salões únicos, nenhum assemelhado a outro, numa simbiose de cores e ornatos tão diferentes quanto harmoniosos no conjunto da obra de beleza cinematográfica”, descreve um texto do historiador Joaquim Eloy Duarte dos Santos, elaborado a partir de reportagens publicadas pela imprensa brasileira. 


Foi neste cenário que, durante um curto período de esplendor, o hotel teve grandes personalidades brasileiras e internacionais (estas, trazidas pelo próprio Rolla como estratégia de divulgação) desfilando por suas dependências. Orlando Frederico Kloh, que trabalhou muitos anos no Quitandinha (primeiro como vendedor de cigarros no salão de jogos, depois como garçom na boate e maitre d’hotel no restaurante), se recorda de ter servido as mesas de Juscelino Kubitschek e João Goulart. Entre os artistas contratados para os shows, estiveram ali Carmen Miranda, Emilinha Borba, Marlene e outros ídolos do rádio como Orlando Silva, Carlos Galhardo, Cauby Peixoto, Mário Reis e Nelson Gonçalves. 


O elenco da Atlântida, produtora que realizou ali várias filmagens, também costumava aparecer. Oscarito, Cyl Farney, Anselmo Duarte, Dick Farney, Eliana Macedo, Adelaide Chiozzo, José Lewgoy, Ankito e Zezé Macedo estavam neste rol. Alguns artistas chegaram a fazer suas estréias profissionais no palco do teatro do Quitandinha. Foi ali, onde trabalhava como carpinteiro, que o ator Grande Otelo começou a trilhar sua trajetória de sucesso depois de ter seu pedido por uma chance de se apresentar atendido por Joaquim Rolla. 
Nomes importantes no cenário político mundial também ficaram registrados no livro de hóspedes. O presidente americano Harry S. Truman e a mais controvertida primeira dama e líder política argentina Eva Perón estão entre eles. Estrelas de Hollywood não faltavam. Além da atriz Lana Turner, que teve uma estada de dois meses na suíte presidencial, Marlene Dietrich, Errol Flyn, Bing Crosby, Henry Fonda, Orson Welles e Walt Disney, em visita ao Brasil para o lançamento do personagem Zé Carioca, foram alguns dos que experimentaram os requintes do hotel. 

Mas nem tudo era festa. Grandes perdas nas mesas de jogo levavam a atos extremos. O mais conhecido deles – e que chegou a originar a incrível lenda de que havia no porão do hotel um salão disponível para suicídios - foi o de um jogador que, em plena luz do dia foi de bote até o meio do lago e tirou a própria vida com um tiro na cabeça. “Nesta época eu trabalhava no restaurante do lago e cheguei a ouvir o tiro, disparado perto do meio-dia”, lembra Orlando Kloh. 


Cerca de um ano depois do fechamento do cassino, o Quitandinha, já com a atenção de seu proprietário voltada para atividades que pudessem compensar o fim deste lucrativo negócio, sediou um dos mais importantes encontros internacionais até então organizados no Brasil. Entre 15 de agosto e dois de setembro de 1947, aconteceu ali a Conferência Interamericana de Petrópolis – com a reunião de representantes de 21 países do continente americano. O evento teria sido ainda mais significativo por representar também a cooptação de algumas destas nações pelos EUA para uma aliança contra o comunismo. 


Veículos de comunicação, que compareceram em peso para a cobertura do grande acontecimento, noticiaram que enquanto a conferência organizada para tratar da paz e da segurança nas Américas se desenvolvia, iniciava-se - através de conversas reservadas entre o chefe de Estado americano George Marshall e o ministro da Guerra brasileiro Góis Monteiro - a gestação da Guerra Fria entre os EUA e a então União das Repúblicas Socialistas Soviéticas. O evento culminou na assinatura do Tratado de Assistência Recíproca, que permitia a “intervenção norte-americana, com a ajuda de tropas dos países signatários, onde quer que a paz e a segurança estivessem ameaçadas”. Pouco tempo depois do fim da Conferência, em outubro de 1947, o Brasil rompia relações diplomáticas com a União Soviética. 


Outra curiosidade sobre este encontro foi presenciada pelo jornalista Sylvio Carvalho, que trabalhou como recepcionista no evento. “No banquete de encerramento, especulava-se que a primeira dama argentina, Eva Perón, que compareceu como convidada à Conferência, queria fazer um discurso – o que, pelo protocolo, era permitido apenas aos chanceleres participantes. Quando percebeu, durante a sobremesa, que ela iria realmente tomar a palavra o chanceler brasileiro Raul Fernandes imediatamente adiantou-se e levantou para propor um brinde a Evita, única mulher presente entre os comensais, evitando assim o que poderia ter sido um grande constrangimento diplomático”, relata o jornalista. 


Foi neste mesmo período, ainda no ano de 1947, que o empresário Joaquim Rolla lançou um inovador projeto de Marketing, com vistas à ocupação do hotel por turistas europeus para tratamentos termais com água radioativa. Ele fez publicar uma revista (com edição única, no idioma francês) com aproximadamente 40 páginas que descrevem em detalhes todos os atrativos do hotel, além de anunciar a inauguração, em maio de 1948, da Exposição Internacional da Indústria e do Comércio, mostra em caráter permanente das técnicas e procedimentos industriais e comerciais do Brasil e de outros países do mundo. 


De acordo com material elaborado (para contribuir com pesquisas sobre a história da cidade) por Gilson Cony dos Santos, que trabalhou com Rolla na Companhia Terrenos Quitandinha, a tentativa de transformar o espaço em um centro permanente de exposições internacionais foi primeiro aplaudida e depois repudiada. O documento registra os fatos que levaram o governo a incentivar, para, logo em seguida, decretar o fechamento da exposição. “A iniciativa pioneira, de arrojado estímulo às exportações, empolgou o presidente Dutra, que facilitou as condições de sua imediata realização, com a expedição de circular que determinava a entrada no país de qualquer mercadoria destinada à Exposição livre e desembaraçada.” 


Entretanto, pressionado por conflitos de interesses, o próprio governo acabou decretando o fim do projeto. Com mais este investimento frustrado, o Quitandinha ficou sem atividades por um período de dois anos, até que, em 1949, foi arrendado pela empresa americana Eppley Hotel Termas do Brasil, que o reativou por mais um biênio, antes de passá-lo para a a Flumitur Cia Fluminense de Hotéis, que o manteve em sua função hoteleira de 1951 a 1954. 

Foi no ano de 1954 que o prédio voltou para as organizações Joaquim Rolla, que optou pela venda de 202 apartamentos, dando origem a um condomínio. Para o professor Oazinguito Ferreira da Silveira Filho - historiador pós-graduado em História do Século XX e membro do Instituto Histórico de Petrópolis -, a presença do Quitandinha em Petrópolis causou profundas transformações na cidade. “Isto determinou uma mudança violenta em Petrópolis, cidade até então de padrão operário e com a constituição de seu centro bem preservada. Depois do início da construção do hotel cassino, o Centro passa a ser eivado de construções, começam a surgir vários espigões. O que se passou a chamar de ‘ciclo modernista de Petrópolis’, na verdade não tem nada de modernismo, foi, simplesmente, uma especulação urbana exagerada. Para se ter uma idéia, o Edifício Imperador (localizado no Centro), construído na época, teve vários andares alugados por Joaquim Rolla apenas para receber os funcionários do cassino”, afirma.
Para o bem ou para o mal, fato é que o Quitandinha, em qualquer de suas fases, sempre representou um símbolo da cidade e até hoje encanta visitantes com suas instalações majestosas e sua aura cinematográfica. 


Para a realização desta matéria, com fornecimento de dados históricos e cessão de fotos de arquivos pessoais, a Estações de Itaipava contou com a inestimável colaboração de Gilson Cony dos Santos, Orlando Frederico Kloh e do jornalista Sylvio Carvalho, além dos historiadores Oazinguito Ferreira da Silveira Filho, Joaquim Eloy Duarte dos Santos e Milton de Mendonça Teixeira.

Colaboração: jornalista Sylvio Carvalho e professores Joaquim Eloy e Oazinguito Ferreira
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Foto: Henrique Magro


O empreendedor Joaquim Rolla que iniciou a vida como tropeiro,
inaugurou o Hotel Cassino Quitandinha - prédio projetado no estilo normando francês,
como a maioria dos cassinos europeus do período - em 1944.

Para chegar ao cassino,
os visitantes atravessavam um salão ricamente decorado. 

Nos palcos giratórios do teatro mecanizado
Grande Otelo fez sua estréia como ator e a Miss Martha Rocha
foi coroada pelo poeta Manoel Bandeira, que, na época, residia em Petrópolis.

O salão de convenções, onde funcionou o cassino,
assim como todos os ambientes do Palácio Quitandinha,
impressiona pela suntuosidade. 

O lago de 18 mil m2, com deque e praia artificial,
era uma das principais atrações do hotel.

O decreto que proibiu o jogo no país, determinando
o fim do lucrativo negócio montado no Quitandinha,
iniciou a derrocada do hotel, que viveu seu esplendor entre os anos de 1944 e 1946.

O Salão de Convenções abrigou grandes reuniões,
como a Conferência Interamericana de Manutenção da Paz e Segurança, em 1947.

Na área externa, além das quadras de voleibol e tênis,
os hóspedes tinham à disposição um rinque de patinação e uma pista de equitação.

A piscina térmica, em formato de um piano de cauda, e
ra dotada de caldeiras que mantinham a água a uma temperatura de 30º C. 

Para a decoração dos ambientes internos, Joaquim Rolla trouxe da Califórnia
a designer Dorothy Draper,
responsável por cenários de filmes dos estúdios de Hollywood na década de 40. 

Festas monumentais, com a presença de personalidades
do cenário internacional, eram realizadas na boate. 


O salão de correspondência e o magnífico hall de entrada do hotel mantêm
até hoje alguns dos elementos originais da época do cassino. 

  
  
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O estilo impresso pela decoradora americana foi também preservado no Salão D. Pedro II e no jardim de inverno. 
O bar central e... 

o lobby foram registrados em fotos por "Postais Colombo"
no final da década de 40. 

 
O lobby em sua configuração atual.
 
A varanda e... 

a impressionante gaiola - que hoje guarda apenas uma fonte em seu interior 
- também mereceram registros da tradicional editora que produzia cartões postais para divulgar as belezas do Brasil no exterior. 
 
O restaurante principal do hotel nos dias de hoje.
Fotos em preto&branco: Arquivo do historiador Milton de Mendonça Teixeira
Fotos à cores: arquivo de Gilson Cony dos Santos  

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